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O meu pensamento

O meu pensamento

Far from each other

Fevereiro 08, 2019

Isis Erzsébeth Báthory

1.JPG

 

 

We've waited months for this
You were so excited you got sick for it
I wish I had found some obtuse excuse not to make it
We didn't think this day would end
I hoped we'd want to see the stars 
Sprawled across the universe
As we'd get to know each other
But you much rather preferred an orange project
You wanted casual nudity
Popping some champagne with Molly
I'd give you my love
And let you float in me
Neither of thought tonight could ever be so far from us
Just try to see me in the dark
Feel the fear before you come by
I really wanted this to work
But I had my faith
And so you pulled out
As you grow silent I hold my breath 
If only you were sure it was safe and sound
Rather than an long long wait
And far away from each other we went

Mudam-se os tempos

Julho 27, 2018

Isis Erzsébeth Báthory

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
muda-se o ser, muda-se a confiança; 
todo o mundo é composto de mudança, 
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades, 
diferentes em tudo da esperança; 
do mal ficam as mágoas na lembrança, 
e do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto, 
que já coberto foi de neve fria, 
e, enfim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia, 
outra mudança faz de mor espanto, 
que não se muda já como soía.  

 

Luís Vaz de Camões

Cântico Negro

Maio 25, 2018

Isis Erzsébeth Báthory

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...

 

A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe

 

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos...

 

Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?

 

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...

 

Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

 

Como, pois sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

 

Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

 

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

 

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

- Sei que não vou por aí!

 

José Régio

Vida adulta

Maio 11, 2018

Isis Erzsébeth Báthory

O que é ser adulta? Uma pergunta que paira na minha mente desde que tenho memórias, decidi usar esta coisa maravilhosa que é o Google para ver o significado:

"

  • que ou o que atingiu o máximo do seu crescimento e a plenitude das suas funções biológicas.
    "homem, animal, planta a."
     

A resposta parece simples, no entanto a mim pessoalmente não me diz grande coisa. Quando era mais jovem, especialmente durante a minha "adolescência" (e as famosas crises e dilemas tão típicas desta fase) passava a vida a ouvir as pessoas "tão crescidas" dizerem-me "quando fores adulta vais compreender" e/ou "quando cresceres vais entender as coisas de forma diferente", e mais umas quantas frases super cliché, isto na altura deixava-me com a impressão que quando me tornasse adulta ia receber uma espécie de revelação incrivél e que seria transformada para o resto da minha vida...Yeah right

Hoje com 25anos, a vida supostamente feita (segundo os objectivos ideais das pessoas crescidas que me deram vida e educação), ainda não obtive a tal revelação incrivél. Portanto chego a duas possíveis conclusões a primeira sendo ela que deram-me todos uma grande tanga e que aquela conversa da treta era só para intimidar. A segunda opção é de que estavam sob efeito de alguma ilusão deprimente.

Hoje em dia continuo a ter as mesmas crises existênciais que tinha aos 13 anos (talvez mais), e também passei a ter novas crises. Continuo sem perceber as pessoas crescidas da minha vida (familia nuclear) e a insistência das mesmas em quererem (na altura) impôr-me os seus julgamentos baseados em "ouvi dizer que" e opiniões alheias, insistência em quererem moldar-me em algo que não era, nem sou! Na altura diziam-me que tudo aquilo era para meu bem, no entanto não resultou, diria mesmo que o deu no resultado contrário.

A unica coisa que pude confirmar é que os adultos conseguem ser mais criancinhas e fazer mais birrinhas do que uma criança de 5 anos. As pessoas crescidas são más, julgam e condenam o próximo pelo que faz e pelo que não faz, oferecem um sorriso na cara e uma facada nas costas, são hipócritas e miseráveis.

Ser adulta é sinceramente uma decepção...

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