Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Olá, aqui há uns tempos li num blog http://porquedeixeideserenfermeiro.blogspot.com o texto que decidi postar hoje, pedi primeiro autorização para tal.

Nem eu nem o autor do blog, sabemos quem é o autor do texto, mas se por acaso o mesmo ler este post e se sentir incomodado, diga-me por email ( isis_bathory@sapo.pt ) que eu farei o "favor" de retirar o mesmo.

Decidi postar este texto, para sensibilizar as pessoas a verem como aqueles que tratam da nossa saude "sofrem" um bocado no nosso dia a dia...

Aqui  vai:

 

(Tomei a liberdade de publicar este texto que chegou à minha cx de correio electrónica. Desconhece-se o seu autor, decerto não levará a mal. - comentário do autor do blog, Guilherme de Carmo)


 

 
A UMA BOA CARTA PARA FAZER CHEGAR À MINISTRA DA SAÚDE.


 
Como Enfermeiro, estive hoje de greve assegurando cuidados mínimos. Revejo-me integralmente nas reivindicações da classe. Mas pergunto-me como as outras pessoas vêm a nossa classe, a nossa profissão, a nossa posição na sociedade. Será que não seremos o parente pobre de um sistema de saúde que só tem olhos para outros interesses…


Sou licenciado. Ganho como bacharel ou nem isso. Deveria fazer 140h por mês e trabalho 160 ou mais. Não recebo nada por essas horas a mais, acumulando horas. Tenho colegas com quase 200h positivas, ou seja, 200 horas que prestaram serviço de qualidade e que não viram compensado o esforço, e porque não dizê-lo, dedicação à causa pública, fazendo os possíveis todos os dias para não faltar nada em termos de cuidados de enfermagem. Essas 200 horas deveriam ser pagas como extraordinárias, ou melhor ainda, deveriam ser realizadas por um dos 5mil enfermeiros que actualmente não tem emprego. No meu serviço devem-se mais de 2000h. No meu hospital há umas dezenas de serviços e a média é nalguns casos superior. Devem-se no país, talvez um milhão de horas de cuidados. O que daria trabalho a mais 7000 Enfermeiros. E já nem estou a falar no aumento do numero de enfermeiros por cada turno, senão o número teria de ser ainda maior. No meu serviço, para 32 doentes, podem estar apenas 2 enfermeiros de serviço. E ao contrário do que por vezes pensamos (os enfermeiros pensam) só temos 2 mãos, 2 olhos, 2 pernas e 1 cabeça. E não somos omnipresentes.


Sou contratado há mais de 4 anos, trabalhando um pouco à margem da lei com contratos de 6 meses 'miraculosamente' renovados. Mas será que algum dia deixarão de precisar realmente dos enfermeiros para termos um contrato tipo 'hipermercado' ou pior? Depois, nestes 4 anos vi o meu ordenado ser aumentado pouco mais de 40€, ou seja 10€ ano. Não subi nenhum escalão, grau, etc, porque simplesmente não há carreira de enfermagem definida, e como contratado a coisa complica-se. Qual é o meu estímulo todos os dias? Apesar de ainda adorar o que faço, trabalho porque preciso do €€€€. É frustrante pensar que todos os anos ao contrário do que deveria ser, ganharei menos. Deveria ganhar como licenciado e ganhar horas extras se me fossem exigidas. Eu que ganho 6,5€ à hora, bem menos que alguns funcionárias da limpeza (sem desprimor para o seu trabalho), não me pagam horas extra. Mas pagar 2500€ por 24h de um médico, já é moralmente e legalmente aceite. Deixemos de ser hipócritas. Sou mal pago. Sinto todos os dias na pele, o peso e o risco desta profissão, que não é dar injecções e medir tensões. Está redondamente enganado quem dessa forma pensa. Somos um elo central nas relações clínicas, um peça chave. Quem esteve internado e já precisou de nós saberá a que me refiro. Formação adicional é sempre condicionada pelos serviços e instituições, num país que quer ter miúdos com computadores por todo o lado, num país em que se não formos doutores não somos ninguém, mas apelar a uma formação contínua, tendencialmente gratuita, é só para outras classes. A qualidade afinal é para outros verem. O doente que se trame.


Se tenho um curso de suporte básico de vida, devo-o a mim. 200€ e tem de ser renovado em 2-3 anos.
Se tenho um curso de suporte avançado de vida, devo-o a mim. 400€ e renovado em 2-3anos.
Se quero ser especialista, terei de ter pelo menos mais 6000€ de propinas para pagar. E depois, esperar que me aceitem numa instituição, que abram concursos, que se desbloqueiem verbas, etc. Um médico depois de médico torna-se especialista praticamente sem ir à escola em 6 anos. A prática é quase tudo. Nós seremos muito diferentes? Se quero tirar uma pós-graduação ou mestrado, arrisco-me a queimar as pestanas e tirar tempo à família, não esquecendo mais 3000€ ou 6000€ de propinas. Em troca recebo mais 0€ ao fim do mês. É isto um estímulo ao desenvolvimento? É assim que a profissão está. É assim que nos sentimos.

 

 

 

 

 

Agora, se me fizerem o favor...Pensem no "assunto", e pensem até melhor quando forem dizer algo como "os enfermeiros são uns ignorantes que não sabem nada", pois, eu cá depois do que tenho vindo a constatar, penso tal coisa mas dos senhores "médicos"...

Published by Isis Erzsébeth Báthory às 20:00
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é isto mesmo amigo, voce me inspirou a escrever no facebook tambem sobre esta árdua experiencia de ser enfermeiro- que todos precisam- mas que estes todos nao querem precisar- e aempre acreditam que nao vao precisar de seus cuidados- mas no final das contas ou da vida vao sempre precisar . Abçs
Somos mal pagos- na remuneraçao-na vida social- e na vida familiar.
maria joana siqueria a 29 de Fevereiro de 2012 às 14:00

Sou enfermeiro no Brasil, pós graduado, revoltado e tão mal remunerado quanto vocês portugueses, ou mais. Embora o valor do profissional enfermeiro seja muito grande, e o preço por seu trabalho ínfimo.
Me congratulo com os colegas em toda parte do mundo, visto que por nossas mãos haverá de passar toda a sociedade, mesmo esta, que valoriza outras profissões em detrimento da nossa, mas que quando se vê frente ao desconforto extremo da doença ou do inevitável final da vida, busca em nossos olhos a remição e o conforto, para a próxima jornada. Sim nós somos TUDO que ela tem, e ainda nos julga POUCO. Assim os profissionais que deveríamos ser e, o respeito que merecemos receber, vai sendo convergido para outros que por vezes, nem sabem que aquele cliente se foi!
Joaquim dos Reis Pereira a 22 de Abril de 2015 às 22:31


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Since the very first moment that I felt you inside...
I love you too the problem with me is that I never...
Sou enfermeiro no Brasil, pós graduado, revoltado ...
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